domingo, 25 de janeiro de 2009

"Palas nos olhos usam os burros"



Vim fazer-me ouvir, que esta miúda anda apaixonada e vê o mundo imerso numa nuvem cor-de-rosa. E pela última vez que cá passei não me pareceu que isto estivesse assim tão mau.

A verdadeira crise! De valores, a pior de todas.


Não entendo a mania de criar máquinas. A última coisa que quero para mim é ser unipolarizada, veementemente afincada a uma causa, tão fanática que não vejo (nem sei) o que está para além do curto alcance dos meus óculos de estudo. E isto nem é miopia, astigmatismo ou outras, como quem diz que não é inerente à condição humana. É curto alcance, meu caro Watson, horizontes curtos, preguiça?, egoísmo? Egoísmo.


Vejo soldados armados até aos dentes com todos os argumentos e conhecimentos do milímetro cúbico que é a vida profissional deles. E lutam arrogantes, soberbos, cruéis, seguros de que são os senhores daquele milímetro cúbico e que aquele volume perfaz toda a inteligência e sapiência do mundo.


Erradicar o mal só mesmo apostando na raiz_ os pequenos. É que se eu tivesse filhos, antes de lhe ensinar as letras já teriam feito muitos gatafunhos nos livros de culinária da mãe (pensando que é hereditário!) e antes de dizerem a tabuada teria de lhes ter ensinado a nadar e a andar de bicicleta. Antes de me recitarem Camões teriam de discutir com os amigos e fazer as pazes e antes de se fecharem no quarto e tirarem a merda do 18 que estraga tantas cabecinhas já teriam mostrado que com gente e ao improviso se safam tão bem como com um mês de estudo de 10 horas por dia para os exames da vida deles. E aí sim, façam-se Homens e Mulheres. Mas antes disso e antes dos 6 anos de rampa de lançamento provavelmente para se dedicarem ao milímetro cúbico deles, a minha mulherzinha já saberia fazer jardineira e lavar casas-de-banho, como a mim me ensinaram a ser mulherzinha; e os meus pequenos já saberiam respeitar as diferenças e aprender com os erros e com os outros e a humildarem-se, como a mim me ensinaram a ser pessoazinha. E de certeza que mesmo que se se fechassem nos seus milímetros cúbicos não seriam assim tão limitados. Porque palas nos olhos usam os burros, que também foi coisa que ouvi na infância.



Não acredito que pequenos génios à porta fechada algum dia possam curar as feridas do mundo.

1 comentário:

manu hell disse...

=)
apesar do tom, o texto animou-me lool
há vozes que não se calam e não se cansam de dizer o que lhes vai na alma.
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